COMO OTIMIZAR SUA APRENDIZAGEM DE IDIOMAS

Este post faz parte de uma série de posts dedicados às melhores práticas e experiências de aprendizagem de línguas. Quero compartilhar com você mais de 25 anos de experiência com ensino/aprendizagem de inglês em especial. Muitas das minhas constatações são baseadas em experiência própria, estudos acadêmicos e dicas de falantes experientes de línguas estrangeiras.

 

O post abaixo é uma tradução do original em inglês e ajuda a entender um pouco mais sobre como pode ser a experiência de aprender uma língua estrangeira de maneira natural.  Para ler a versão original em inglês, clique no link no final do artigo.

Sete Conceitos Relacionados à Aprendizagem Natural de Línguas (Por Steve Kaufmann)

A aprendizagem de língua é algo essencialmente divertido, ou deveria ser, quando acontece de forma natural, em conformidade com a maneira que o cérebro aprende. Aprendemos a nossa primeira língua muito bem, sem instrução explícita. Infelizmente, o ensino de línguas estrangeiras se transformou numa cerimônia complexa da sala de aula, constituída de regras gramaticais confusas, exercícios de repetição enfadonhos, exercícios de memorização e testes. O resultado é que muitas pessoas se tornaram desmotivadas para aprender línguas. Talvez nem tivesse aprendido a língua materna se fossem ensinados desta maneira.

Um dos maiores pensadores inovadores na área de aprendizagem de línguas é Stephen Krashen, que aponta que as línguas são adquiridas (internalizadas) por meio de input (conteúdo ou mensagens compreensíveis) e não por meio de instruções formais. Suas ideias estão sendo confirmadas por pesquisas recentes sobre como o cérebro aprende, como é descrito no excelente livro do pesquisador alemão sobre o cérebro, Manfred Spitzer, Learning: The Human Brain and the School for Life (Aprendizagem: O Cérebro Humano e A Escola para a Vida). Como afirma Spitzer, a aprendizagem acontece no cérebro, não na escola.

Abaixo elenco sete conceitos relacionados à aprendizagem natural de línguas que refletem os estudos mais recentes sobre como o cérebro aprende.

1. O cérebro pode aprender línguas, confie nele.

O cérebro aprende a todo instante, e, na verdade, ele é projetado para aprender. Durante toda a nossa vida o cérebro retém “plasticidade”, criando neurônios, e conexões neuronais, em resposta ao que vê, ouve e experiencia. O cérebro tira suas próprias conclusões do input que recebe, e é melhor para formar suas próprias regras do que para entender explicações lógicas. O cérebro está sempre trabalhando, consumindo mais de 20% das calorias do nosso corpo. Nós podemos aprender língua mesmo em idades avançadas, e, na verdade, esta atividade é muito boa para o cérebro também.

– O cérebro desenvolve suas próprias regras, naturalmente, a partir de observações do input que recebe.

– O cérebro tem o seu próprio ritmo de aprendizagem e requer exposição contínua a conteúdo interessante e significativo

– O cérebro pode priorizar o que vai aprender, preferindo dar conta das coisas mais simples primeiro e depois das mais complexas

2. O cérebro necessita de estímulo. Dê a ele quantidades enormes de input significativo.

O cérebro gosta de coisas que são relevantes e interessantes. Assim, se a questão é a aquisição de língua, a condição mais importante é a de haja uma enorme quantidade de exposição contínua a conteúdo de linguagem relevante e interessante. A princípio, quando se trata de uma nova língua, é bastante útil reforçar o que é aprendido com leitura e compreensão auditiva repetitivas. Conforme progredimos, precisamos encontrar conteúdo mais novo, atual, interessante, estimulante e significativo.

– Nós aprendemos melhor por meio de histórias, conversações reais, exemplos e episódios do que a partir de regras e fatos.

– Nós aprendemos melhor com conteúdo que nos interessa.

– É mais fácil ouvir e ler conteúdo que está no nível ideal de dificuldade, no entanto interesse e relevância para o aprendiz é a questão mais importante a ser considerada.

3. O cérebro não captura tudo sobre a língua. Nós podemos ajudar o cérebro a perceber coisas sobre a língua.

O cérebro aprende naturalmente por meio de observação, sempre classificando coisas e criando suas próprias regras. Mas o cérebro deixa escapar algumas coisas. De vez em quando, é bom revisar regras gramaticais e tabelas, focar nos erros que cometemos, ou estudar palavras e frases específicas que aprendemos. Nós devemos também escrever e falar, se assim desejarmos. Essas atividades, que acabam dominando a aprendizagem tradicional de línguas são, no entanto, opcionais e constituem em atividades menores dentro de um sistema de aprendizagem natural de línguas. Elas aumentam o nível de atenção, mas não devem ser substituídas pelas atividades principais de compreensão auditiva e leitura.

– Uma boa produção (output) de linguagem só pode vir do resultado de um input linguístico significativo e em quantidade muito grande.

– Quando praticamos produção de linguagem (output), fala e escrita, ou revisamos vocabulário e regras de gramática, nós elevamos nosso nível de atenção com relação à língua.

– Um nível de atenção elevado aumenta a habilidade do cérebro de notar os padrões e sons da língua

4. Aprenda a empregar suas emoções para aumentar a eficiência no aprendizado

Emoções positivas energizam o cérebro, e aumentam a eficiência do aprendizado.Uma história interessante, um audiolivro narrado de forma dramática, uma pessoa que gostamos – estas são coisas que ativam as nossas emoções. Tarefas de aprendizagem que não são interessantes, ou tensão negativa,  diminuem o nível de eficiência no aprendizado.

– Nós devemos nos ater a conteúdo que gostamos, e descartar conteúdo que não gostamos. Nós devemos fazer apenas as atividades com as quais gostamos.

– Nós devemos sempre combinar áudio e texto, e escolher narradores cujas vozes nós gostamos. Isto tornará mais fácil a tarefa de ouvir o mesmo conteúdo repetidamente.

– Nós precisamos gostar da língua que estamos estudando e ao menos certos aspectos de sua cultura.

5. Quando se aprende de forma natural, você se sente motivado pelo seu próprio sucesso.

A motivação é a alavanca básica do aprendizado. O sucesso é motivador, assim como o é um elogio. Qualquer atividade de ensino que leva à frustração, como a aprendizagem tradicional de línguas baseada em gramática, pode desmotivar o aprendiz. Em um ambiente natural de aprendizagem, a principal função do professor é incentivar o aprendiz a tornar-se independente do professor, e não impor tarefas e explicações ao aprendiz.

– Muitos de nós queremos aprender uma língua estrangeira, mas não acreditamos na nossa habilidade para fazê-lo porque nunca fizemos isso antes.

– Assim que essa língua estranha começa a adquirir significado por meio de compreensão auditiva e leitura, nosso cérebro sente uma sensação de recompensa com essa experiência nova e inesperada. Essa experiência é altamente motivadora.

– Dê a si mesmo a chance de aprender uma língua estrangeira, os resultados serão melhores do que você pode imaginar.

6. Quando aprendemos, nós mudamos. Precisamos aceitar esta mudança.

Quando aprendemos, nossas conexões neuronais se alteram, fisicamente. Quando aprendemos uma nova língua, adotamos certos padrões de comportamento de uma nova cultura e nossas personalidades e nossas percepções se alteram. Muitas das dificuldades que pessoas adultas experienciam ao aprender uma língua estrangeira provêm da resistência com relação à essa mudança. É sempre mais confortável seguir os padrões e pronúncia da nossa própria língua do que encarar a experiência de ter que imitar completamente a nova língua.

– As crianças não têm receio de mudanças. No caso de uma eventual mudança para um novo país, elas aprendem a língua de seus novos amigos sem hesitação.

– Aprendizes mais velhos têm mais resistência para alterar a própria identidade, e o conhecimento que já possuem.

– Todos os aprendizes se beneficiam da ajuda incentivadora de um tutor e um grupo entusiasmado de colegas aprendizes, a fim de superar estas barreiras com relação à aprendizagem.

7. A internet – o novo mundo da aprendizagem natural a distância de um clique.

A internet oferece uma ampla variedade de conteúdo em muitas línguas, muitos sites a baixo custo com eficientes metodologias de aprendizagem, tutores online, e pessoas ao redor do mundo com quem podemos conversar e interagir. A internet se torna uma sala de aula, uma biblioteca, fonte de conteúdo, laboratório de línguas, e comunidade de apoio. A internet representa o começo de uma revolução no ensino de línguas, uma revolução na aprendizagem natural de línguas.

– Aprendizagem via internet está disponível a todo instante que queremos a um baixo custo ou custo zero.

– O  iPod e tocadores de MP3 assim como outros recursos de aprendizagem de línguas na internet deram início à uma revolução na aprendizagem de línguas

– Entre para uma comunidade de aprendizagem de línguas na internet hoje mesmo!

Steve Kaufmann é um ex-diplomata canadense e possui sua própria empresa de comércio exterior no ramo de produtos florestais há mais de 20 anos. Steve é o presidente fundador do lingQ.com um sistema online de aprendizagem de línguas e comunidade Web 2.0. Steve fala dez línguas, tendo recentemente aprendido russo através do LingQ. Steve mantém um blog sobre aprendizagem de línguas blog sobre aprendizagem de línguas.

Fonte: http://www.pickthebrain.com/blog/language-learning/

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